Após 5 meses, corpo de ativista é achado em lago da usina Jirau (RO)

O corpo da pescadora Nilce de Souza Magalhães, a Nicinha, ativista do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), que estava desaparecido desde janeiro, foi encontrado na última terça-feira (21) no lago da barragem da usina hidrelétrica de Jirau, em Porto Velho (RO).

Uma das líderes do movimento na região Norte do país, ela estava desaparecida desde 7 de janeiro. O corpo foi achado com mãos e braços amarrados a pedras pesadas, o que o mantinha dentro da água, a 400 metros de distância do local em que morava.

Nicinha era uma das pessoas atingidas diretamente pela construção de Jirau e não tinha conseguido ser reassentada, o que impulsionou sua luta por pessoas em situação idêntica à sua e contra a violação de direitos humanos. Duas denúncias envolvendo a atividade pesqueira e a construção das hidrelétricas no Madeira viraram inquéritos no Ministério Público.

Filha de seringueiros, ela morava num acampamento de pescadores numa ilha no rio Mutum, afluente do Madeira, e continuava atuando na pesca, reduzida, segundo o MAB, após a construção da barragem.

O reconhecimento do corpo foi feito por duas filhas, que identificaram as roupas, o relógio e objetos que estavam com a ativista. Devido ao avançado estado de decomposição, a polícia solicitou exame de DNA, que deve ficar pronto em 15 dias.

“Difícil afirmar exatamente o que houve mas, ainda que indiretamente, o verdadeiro culpado pela morte é a construção das barragens, da forma que foram construídas em Rondônia”, disse o integrante do MAB Guilherme Weimann.

Segundo o movimento, a construção de barragens levou para a região um contingente enorme de operários, gerando deficit na educação, saúde e habitação, ampliando as violações aos direitos básicos das pessoas.

Um suspeito de cometer o crime foi preso uma semana depois do desaparecimento de Nicinha. Ele disse à polícia ter atirado na vítima após um suposto furto. Há dois meses, o criminoso fugiu da penitenciária de Porto Velho.

O MAB refuta a hipótese de que uma “briga de vizinhos” motivou o crime e fará um ato político para homenageá-la na capital de Rondônia. “Sabemos que não é isso. Ela incomodava muita gente lá”, disse Weimann.




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