Áudios inéditos provam que juiz Roberto Caldas era um monstro com a esposa Michella

Juiz internacional de Direitos Humanos se mostra um verdadeiro canalha em violência contra a mulher

Os registros de violência de autoria do juiz recém-afastado da Corte Interamericana de Direitos Humanos Roberto de Figueiredo Caldas contra a ex-mulher, a universitária Michella Marys, revelam muito além de fatos isolados ou considerados pontuais.

Metrópoles teve acesso a toda a documentação que embasou a denúncia feita à Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), para o enquadramento na Lei Maria da Penha, incluindo áudios inéditos os quais comprovariam a brutalidade verbal, psicológica e também física contra a então esposa de Roberto Caldas. O casamento durou 13 anos. Há, também, ex-empregadas confirmando terem sido vítimas de assédio sexual por parte do renomado juiz.

“Cachorra”, “safada”, “víbora”, “filha da puta”, “burra” e “gorda” são alguns dos recorrentes adjetivos usados por Roberto Caldas para se referir a Michella. Em uma das gravações, a impressão é de que o juiz agride a mulher fisicamente.

Olha aqui, ó: o vermelho que ficou no meu braço. Você está vendo? Você está vendo? Da controlada [agressão com o controle remoto da TV] que você deu. Quem me bateu foi você

MAIS SOBRE O ASSUNTO

Em nenhuma das brigas registradas houve reação imediata por parte de Michella. As gravações indicam que as agressões contra ela, das mais diversas formas, foram geradas por motivos fúteis.

Apesar de uma formação acadêmica e do grande prestígio nacional e internacional pela carreira jurídica em defesa dos direitos humanos e da rede de proteção humanitária, Roberto Caldas esconde, por trás das togas e dos costumes, um temperamento desproporcional, desequilibrado e covarde.

Em um dos áudios reproduzidos pelo Metrópoles, o conceituado advogado não poupa a ex-mulher de ataques extremamente agressivos. Roberto Caldas dispara críticas e xingamentos contra Michella, por aparentemente um descuido com os filhos do casal, que estariam sujos após um churrasco de amigos.

“Você é uma cachorra, safada”, grita ele em um dos momentos da gravação. “Ah, vá se fuder, caralho”, continua, após não querer ouvir a justificativa da ex-esposa. “Só separando de você mesmo. Ô, merda. Bastam dois dias contigo para ficar com o saco assim”, diz, antes de finalizar com um “cala a boca, vagabunda”.

Em outra gravação entregue à polícia, é possível perceber que o juiz se respalda em motivos banais para violentar verbalmente Michella, apesar das tentativas dela em acalmar o então marido. Na conversa, Roberto reclama da iluminação instalada no espelho do quarto do casal.

“Você é gorda e burra ainda por cima”, diz ele. A universitária tenta ponderar: “Para de me ofender. Me escuta, vamos conversar com civilidade”, insiste. No entanto, o juiz segue com as ofensas: “Não, Michella. Não quero saber. Some da minha vida”.

Jantar e ataque de fúria

Segundo relato de Michella ao Metrópoles, o primeiro sinal de violência do advogado contra ela foi durante um jantar em casa, ainda em 2007, logo após perceber que a mulher havia pedido para que as ajudantes preparassem mocotó e rabada.

Por manter dieta rigorosa, Roberto Caldas teria ficado revoltado com a escolha dela e quebrou o prato com a comida antes de se trancarem no quarto e ele puxar os cabelos dela. “Esse foi só o começo de uma vida de abusos”, contou Michella à reportagem.

A defesa de Roberto Caldas disse reconhecer “serem graves as inúmeras ofensas verbais feitas pelo casal ao longo de uma tumultuada relação”. Mas, segundo o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, não houve qualquer agressão física.

A estratégia do defensor é minimizar o episódio, atribuindo a relação conflituosa a uma disputa financeira. Mas, com farto material em áudio e os contundentes depoimentos de testemunhas dos episódios de agressão, essa linha de raciocínio vitimiza Michella duas vezes. A primeira, ao sofrer as agressões durante todo esse tempo. E agora, ao tentar desqualificar o drama vivido pela vítima, pontuando a questão como sendo meramente econômica.

Em depoimento emocionado, Michella afirma que sua luta contra o ex-marido segue em duas frentes: a cível, na qual discute a partilha de bens, e agora a penal, em que, após mais de uma década, reuniu coragem para expor as vísceras de um relacionamento francamente abusivo.

Colaboraram: André Rochadel, Carlos Carone, Luiz Prisco, Otto Valle, Rafael Campos, Samir Mendes e Suzano Almeida 

Confira áudios e transcrições de conversas gravadas por Michella. Os registros são de dias e circunstâncias diferentes. Embora em alguns casos não seja possível perceber o contexto dos diálogos, fica evidente a sucessão de abusos cometidos por Roberto Caldas. 

“Eu faço o que eu quiser”

Roberto: Filha da puta. Não te quero mais, porra. Vagabunda. A casa é minha, os filhos. Se você quiser, você sai. Vagabunda. Tem um monte de empregado. Eu faço o que eu quiser. Me dá paz. Sai daqui.

“Quem me bateu foi você”

“Você é uma cachorra safada”

“Você é gorda e burra ainda por cima”

 

Fonte: metrópoles.com




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