Em decisão inédita, Temer efetiva militar no comando da Defesa

O presidente Michel Temer não seguiu recomendação de assessores e auxiliares e efetivou nesta quarta-feira (13) para o comando do Ministério da Defesa o general do Exército Joaquim Silva e Luna.

Com a decisão, é a primeira vez desde que a pasta foi criada, em 1999, que um militar ocupa o posto. Desde fevereiro, o general desempenhava a função de maneira interina, já que a intenção do presidente era encontrar um civil para o cargo. Com dificuldades de achar um nome, contudo, ele optou por uma solução caseira.

Em fevereiro, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, chegou a afirmar que a pasta é “típica de um civil”. Em evento na mesma época, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que colocar um civil à frente da estrutura era, no passado, símbolo de qual poder prevalece no país.

Nos últimos meses, o presidente foi aconselhado a escolher um nome civil que não passasse a ideia de fortalecimento dos militares em seu mandato e que não causasse constrangimento à Marinha e à Aeronáutica por ter optado por alguém do Exército.

Desde o início de seu mandato, Temer tem dado aos militares o controle de áreas sensíveis de seu governo. De forma inédita na redemocratização, eles exercem cargos na Funai, na Abin, na Casa Civil, entre outras áreas.

A afinidade de Temer com as Forças Armadas é antiga. Como vice-presidente, ele foi escalado para coordenar o plano nacional de fronteiras, o que o aproximou dos militares.

Durante o impeachment de Dilma Rousseff, recebeu manifestações reservadas de apoio de generais de alta patente e, desde que assumiu o Palácio do Planalto, faz questão de comparecer a eventos militares.




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