Operação Capitu: PF prende Joesley Batista e vice-governador de Minas Gerais

Joesley Batista e um operador do “planilhão da propina” são presos por corrupção no Ministério da Agricultura

O nome da operação é Capitu. Nela, os executivos da JBS Joesley Batista e Demilton de Castro, além do vice-governador de Minas Gerais, Antonio Andrade (MDB), que foi ministro da Agricultura de Dilma Roussef, foram presos hoje pela Polícia Federal. A acusação é um de esquema de corrupção no Ministério da Agricultura no governo Dilma Rousseff (PT). O executivo da JBS Ricardo Saud também é alvo de um mandado de prisão e foi preso no meio desta manhã. O deputado federal eleito Neri Geller, ministro da Agricultura de Dilma Rousseff, também foi preso pela Capitu.

A Polícia Federal cumpre 62 mandados de busca e apreensão em Minas, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraíba e Mato Grosso do Sul. A operação Capitu é um desdobramento da Lava-Jato e é baseada na delação do doleiro Lúcio Funaro, operador do MDB.

Na mesma operação também foi preso Demilton Antonio de Castro, que é apontado como responsável por organizar um arquivo com nove mil dados de operações financeiras ilegais feitas pela JBS. Segundo a PF, esse arquivo era chamado de “planilhão da propina”.

De acordo com a denúncia o esquema criminoso era fonte de arrecadação de propina dentro do Ministério da Agricultura beneficiando políticos do MDB que recebiam dinheiro da JBS em troca de benefícios para as empresas do grupo. Antonio Andrade recebeu propina de Joesley para efetivar medidas que beneficiaram a JBS. Segundo a PF, a JBS teria pago R$ 2 milhões, por exemplo, pela regulamentação da exportação de despojos e R$ 5 milhões pela proibição de um remédio para parasitas de longa duração.

NOTA DA POLÍCIA FEDERAL

De acordo com nota da Polícia Federal, durante as investigações, houve clara comprovação de que empresários e funcionários do grupo investigado – inicialmente atuando em colaboração premiada com a PF – teriam praticado atos de obstrução de justiça, prejudicando a instrução criminal, com o objetivo de desviar a PF da linha de apuração adequada ao correto esclarecimento dos fatos. Daí o nome da Operação, CAPITU, a personagem dissimulada da obra prima de Machado de Assis, Dom Casmurro.

Os envolvidos deverão ser indiciados pelos crimes de constituição e participação em organização criminosa, obstrução de justiça, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, dentre outros. Caso haja condenação, as penas máximas poderão variar entre 3 e 120 anos de reclusão, proporcionalmente à participação de cada investigado.




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