Pastor diz em depoimento que Cabral pediu para missionários assinarem doação de cinema para presídio no Rio

O Ministério Público do Rio de Janeiro continua investigando a origem dos equipamentos de última geração que serviriam para montar uma espécie de sala de cinema dentro do presídio, em Benfica, na Zona Norte do Rio, onde estão o ex-governador do Rio Sérgio Cabral e outros presos da Lava Jato. Segundo depoimento do presidente de uma das igrejas evangélicas que aparecem no termo de doação do cineminha, o ex-governador pediu que um dos membros da igreja assinasse doação do cinema para o presídio.

O pastor João Reinaldo Purin Júnior, presidente da Igreja Batista do Méier, foi ouvido na terça-feira (28), no inquérito que investiga indícios de irregularidades na doação de uma televisão de 65 polegadas, um home theater, um aparelho de Blu-ray e 160 filmes para a unidade prisional que recebe os presos da Lava Jato no Rio.

João Reinaldo voltou a negar que a igreja tenha feito qualquer doação à cadeia pública de Benfica de produtos eletrônicos. Segundo ele, os integrantes da igreja que assinaram o termo de doação não tinham e não têm poder para assinarem documentos relativos à igreja.

Depois que o caso veio à tona, a Secretaria de Administração Penitenciária disse que a videoteca estava prevista na Lei de Execuções Penais. Mas desistiu de mantê-la em Benfica. Equipamento foi doado para um abrigo em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Antes disso, a Seap apresentou um termo mostrando que os aparelhos foram doados pela Igreja Batista do Méier e pela Comunidade Cristã Novo Dia.

Por parte da Igreja Batista do Méier, assinam o documento o pastor Carlos Alberto de Assis Serejo e a missionária Clotildes de Moraes. E pela Comunidade Cristã Novo Dia, quem assinou foi o pastor Cesar Dias de Carvalho.

No depoimento desta terça-feira, o presidente da Igreja Batista do Méier declarou que “os três missionários que assinaram o documento possivelmente foram ludibriados por algum preso de forma ardilosa”, e que “o pastor Serejo disse a ele que foi o preso Sérgio Cabral que o chamou à biblioteca para tratar do documento.

Em entrevista à TV Globo no início de novembro, o pastor Carlos Serejo confirmou que o pedido para assinar o termo de doação partiu do ex-governador Sérgio Cabral, no dia 27 de outubro.

“Eu estava começando a pregação, no momento em que o preso Cabral passou e nos chamou. Então, nós fomos atrás dele até a biblioteca. E lá, ele expôs a necessidade de se fazer um documento. Segundo ele, o material já estava lá dentro. E teria sido comprado pelos presos”, disse o pastor.

Carlos Serejo também disse que Sérgio Cabral pediu a um preso da confiança da direção para digitar o termo de doação dos equipamentos na hora. E foi obedecido.

“Foi um preso de confiança, lá dentro, que o Cabral chamou. Nesse caso específico, nós aceitamos assinar a documentação. Então, o documento foi feito na hora, com papel de lá, e nós assinamos embaixo”, disse o pastor.

No depoimento ao MP, o pastor presidente da Igreja Batista do Méier também afirmou que “a missionária Clotildes chegou a procurar a direção da cadeia pública e perguntar sobre o termo de doação”. A resposta teria sido que – abre aspas – “estaria tudo certo” – fecha aspas.

Procurado pela Globonews, o promotor Claudio Calo, responsável pela investigação da doação da sala de cinema, não quis gravar entrevista e não comentou o depoimento do pastor João Reinaldo. A defesa de Sérgio Cabral ainda não respondeu.

Fonte: G1




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